sábado, 29 de julho de 2017

[Resenha] "Dois a Dois" - Nicholas Sparks

"Dois a Dois" realça a grandiosidade das relações familiares, que têm o amor como seu alicerce.


     Assim que soube que o autor Nicholas Sparks estava prestes a publicar "Dois a Dois" nos EUA, fiquei extremamente empolgado e ansioso pelo novo romance. Histórias de pais solteiros que lutam para criar seus filhos sempre despertaram meu interesse, como aconteceu com a leitura de "Perdas e Danos", de Diane Chamberlain, classificado pelo blog como o melhor livro de 2015. Ambos os romances possuem a mesma premissa.

     Unindo um tema que muito me agrada com a escrita de um dos autores que mais admiro, foi inevitável criar expectativas positivas acerca do romance. Então, comecei a prever as inúmeras cenas comoventes que essa combinação resultaria. E, de antemão, já me preparei para as mesmas.


     Os protagonistas da história, Russell Green e sua filha London, têm sua relação construída do zero a partir do início da história. Apesar de London ter quase 6 anos de idade, os dois só começam a ter um convívio mais próximo quando a vida de Russ e sua rotina mudam completamente. E é a partir daí que Russ começa a se dar conta da importância do que é "ser pai". 

     E não é apenas a relação do publicitário com sua filha que se destaca na narrativa. Os laços que ele mantém com sua família, sua irmã Marge e seus pais, também contribuem para os momentos de harmonia e emoções do romance. Com todos os obstáculos - e não são poucos - que a vida impõe a Russ, é gratificante ver o quanto a lealdade e a assistência de seus familiares lhe proporcionam grandes aprendizados. E muitas das vezes, o auxílio não está relacionado apenas à prestação de favores, mas também na cumplicidade da irmã e da cunhada, na experiente sabedoria da mãe e até mesmo no silêncio do pai. Sem contar os pequenos gestos da filha, que na pureza da infância, são capazes de emocionar até os mais resistentes e instruir os mais cultos. 

     O envolvimento de Russ com Emily, sua ex-namorada e mãe do melhor amigo de London, o Bodhi, também foi um dos pontos altos da história, pois com ela os leitores tiveram a oportunidade de observar o mesmo tema de uma outra perspectiva, já que Emily é divorciada e cria sozinha o filho. Russ e Emily, que vivem em situações semelhantes, compartilham suas experiências um com o outro e iniciam uma amizade promissora. Pintora com carreira em ascensão, Emily entrou na história trazendo positividade e um novo frescor, como uma notícia boa que chega para renovar a esperança.

     Outra personagem  que se destacou imensamente foi Marge, a irmã de Russ. Sua personalidade, sempre bem humorada, seu jeito de implicar com o irmão, renderam ótimos momentos na história. O vínculo entre eles foi um dos mais afetuosos que já vi entre irmãos na literatura. Marge é uma contadora de sucesso, tem 40 anos e vive com Liz, uma terapeuta, outra personagem encantadora. Aliás, a união das duas é algo que marcou bastante, sem dúvidas uma linda e inesquecível história.

      A única coisa que me incomodou um pouco em "Dois a Dois" foi o seu início. Diferente do romance anterior do autor, "No Seu Olhar" - considerado pelo blog o melhor livro de 2016 -, "Dois a Dois" não me arrebatou logo de início. Apesar de reconhecer o cuidado do autor em apresentar a vida de Russ antes dele começar a ficar responsável pela criação de London em tempo integral, para mim pareceu que foi uma fase que se estendeu mais do que deveria. Muito além, até! O livro só de fato "começou" depois de muitas e muitas páginas, fisgando minha atenção apenas quando Russ reencontrou Emily.  Outro ponto negativo - e que talvez influencie no primeiro - foi a personagem Vivian, esposa de Russ. Leitores: acho que nunca odiei tanto uma personagem quanto ela (risos)!

     Muitos são os aprendizados que podemos obter na leitura de "Dois a Dois". O maior deles é o quanto o amor é um precioso instrumento para o sustento de uma família, assim como a lealdade e a cumplicidade entre seus componentes. 

     A mim, Nicholas Sparks comprova em seu vigésimo livro, pela vigésima vez, o motivo de considerá-lo o melhor autor da atualidade. Só mesmo uma mente brilhante de uma pessoa tão sensível pode alcançar nosso apreço com obras tão sublimes.

Ps.: Sempre que assistir ao filme "Uma Linda Mulher", me recordarei com emoção de "Dois a Dois".


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